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18 de dezembro de 2019 - 09:53

“Quem é você?” Estudantes refletem sobre protagonismo juvenil em Oratória

Na última semana de aula, estudantes de primeira série receberam os certificados da atividade Oratória na Escola, desenvolvida no componente curricular Língua Portuguesa, com a professora Grazielly Rachelle. Parabenizamos os estudantes pelo belo trabalho que visou desenvolver produções textuais e orais, pensamento crítico e criatividade.  Abaixo, podemos contemplar alguns dos textos desenvolvidos para a oratória da estudante Letícia Soares Variani e Alessandra Soave. Convidamos toda a comunidade escolar a mergulhar nesta linda reflexão sobre “Quem é você?” e “Refúgio no Mundo”.

 

Vivências

Sempre achei difícil durante toda a minha vida responder a pergunta “Quem é você?” . Quando via qualquer pessoa responde-lá ficava frustrada, “como eles podem se descrever tão facilmente?”.
As vivências podem ser a resposta pra maldita pergunta “Quem é você?”. Infelizmente elas não vem com um manual, por mais que eu quis esse um “Como descobrir quem você é em 3 passos simples”, temos que desvendar nossa identidade por conta própria, pois somos diferentes seres que lidam com suas experiências de maneiras diversas, e além disso, o tempo é necessário para realmente amadurecermos e nos tornarmos quem queremos ser.
Todos nós experienciamos algo na vida, isto é inevitável, e essas experiências são vitais para a construção constante da nossa identidade. Costumo dizer que somos quebra-cabeças incompletos que vão ganhando peças ao longo do tempo. De certa forma as vivências podem ser as peças deste jogo. Somos diferentes do que fomos ontem e do que seremos no amanhã, pois vivemos sendo expostos à novas situações.
Da mesma forma que temos eventos mais cotidianos ou fora do comum, também temos as vivências positivas e negativas. As positivas constroem, um sonho, um hobby e podem até mesmo atribuir elementos positivos a nós mesmos, como a empatia, compaixão e a humildade. Por outro lado, as negativas são nossos períodos ruins onde tudo parece mais complicado ou confuso.
O que muda um momento é como reagimos a ele, se temos medo ou se lutamos contra aquilo é nossa escolha, nossa opção. Independente de que caminho você escolha, a perspectiva que possuímos é uma chave importante para transformar qualquer momento em bom ou ruim.
Mesmo assim, o nosso quebra-cabeça pode parecer confuso ou disperso, e por mais que tentemos enxergar nossa realidade de outra forma, tudo ainda está muito embaralhado.  Nestas horas, devemos nos lembrar das alegrias dos bons momentos e de como fomos fortes nos ruins. Se nada disso funcionar, se abrir com alguém pode ser uma boa opção, uma mão amiga talvez te ajude a resolver seu quebra-cabeça.
No fim, somos uma constante metamorfose. Os fatos vividos em nossa vida nos marcam de alguma maneira, em função disso, valorizar as diversas bagagens que obtemos ao longo da vida é um bom meio de entender à nos mesmos.
As vivências nos conectam como humanos, graças à elas podemos ver o mundo de outra forma; ter consciência de que todos nós sofremos, amamos e que somos semelhantes de alguma maneira. Devemos dar mais importância às nossas vivências, pois não podemos construir um quebra-cabeça sem suas peças.
Sou Letícia Soares Variani, estudante do 1° ano do EMITI e estou em constante busca das minhas peças deste quebra-cabeça que é a nossa vida.
Refúgio no mundo
Uma frase que me marcou muito foi de um personagem da novela, Órfãos da Terra, que dizia o seguinte: “Um refugiado sempre leva consigo a chave de casa, pois um dia tem esperança de voltar para ela.” Para compreender bem, fui buscar o significado de refugiado e encontrei que, “Refugiado é toda a pessoa que, em razão de fundados temores de perseguição devido à sua raça, religião, nacionalidade, associação a determinado grupo social ou opinião política, encontra-se fora de seu país de origem e que, por causa dos ditos temores, não pode ou não quer regressar ao mesmo, ou devido a grave e generalizada violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outros países.”
É difícil imaginar a vida de um refugiado, mas essa é a realidade de 25,4 milhões de pessoas. Elas deixam tudo para trás, para tentar uma vida melhor, mas muitas vezes esse “sonho” não se torna realidade e sim um pesadelo. Milhares de seres humanos todos os dias atravessam o oceano, fronteiras, muros e barreiras que são impostos. Mas eles nunca desistem. 68,5 milhões de pessoas foram forçados a deixarem suas casas, dentre elas, uma
poderá ser você. Esse dado está tão perto de nós, por exemplo, o Brasil recebe todos os dias refugiados sírios, congoleses, angolanos, venezuelanos, haitianos, libaneses, colombianos dentre outros. Isso tudo por muitas peculiaridades como a violação de direitos, perseguição política, reunião familiar, perseguição religiosa, perseguição por grupo social, guerras, conflitos e pela fome. É apavorante pensar que isso tudo é causado pelo ser humano. São
apenas vidas tentando se salvar de outras.
Mas o que mais me assusta é pensar que metade desses refugiados são crianças(52%), que perdem sua infância, o melhor momento da vida, fugindo, pois querem ter um futuro. Muitas vezes estão sozinhas, longe de casa e da família. Elas são tão frágeis, mas se tornam fortes em meio a esse desespero total. Além de correrem vários riscos, elas são exemplos de seres humanos, mal chegaram ao mundo e já lutam contra enormes barreiras.
Eu Alessandra Carla Soave, convido todos, imaginem vocês, precisando abandonar tudo, exatamente tudo o que vocês mais gostam, seus lares, amigos, familiares… O destino,  ninguém sabe. Pois nem sabem se vão sobreviver, mas saem dali com esperança de encontrar um lugar melhor, sem guerras, violência, fome… atravessam o oceano. Chegam em um país, mas não conseguem se comunicar pois a língua materna é diferente da sua, lembrando que ao
longo desta viagem foram deixados para trás pessoas que amam, vocês veem seres humanos morrendo na sua frente por fome, e uma criança desesperada procurando a sua família, toda ensanguentada, chorando desesperada e pensando, por que fizeram isso? Ela é apenas uma criança frágil em busca do que perdeu, e você, o que está fazendo para eles se sentirem aceitos e acolhidos?
São apenas seres humanos, fugindo de outros que desejam a destruição, a morte, a fome, o desespero de muitas famílias, e você ali simplesmente olhando para o universo, e pensando que não existe maldade no mundo. Como não vai existir? Se refugiados batem na nossa porta a todo instante, perguntando abrigo, perguntando uma casa, perguntando um país para morar, eles não conseguem falar a nossa língua, eles têm dificuldade para arrumar
emprego, nada valida aqui, você já pensou, você já se colocou no lugar dessa pessoa? Isso pode acontecer com nós, no estado que o nosso país está. Hoje nós abrigamos eles, e amanhã eles podem nos abrigar.
Meu desejo é que em meio a tudo isso, exista um pingo de esperança, que a humanidade mude e que o mundo se transforme em algo melhor.
E você?
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